Sustentabilidade no RioMar

 

Shopping do Grupo JCPM desenvolve uma série de projetos para preservar o meio ambiente e mudar paradigmas na obra.

Faltando pouco mais de um ano para ser inaugurado, o RioMar Shopping, no Pina, investe em educação ambiental. Em breve, será concluída a primeira etapa do Projeto Amigos do Mangue, realizado pela Colônia de Pescadores Z-1, de Brasília Teimosa, em parceria com o empreendimento do Grupo JCPM. O projeto prevê 16 coletas no entorno do RioMar. O trabalho vem sendo realizado desde julho, com seis barcos e 12 pescadores. Cada um recebe uma bolsa no valor de R$ 100 por dia de trabalho.

A proposta é tirar o lixo do mangue e promover educação ambiental dos moradores que vivem nas áreas ribeirinhas do Capibaribe. ?O RioMar adotou a iniciativa pois também está gerando renda para os pescadores e para a cooperativa de catadores Pró-Recife, que revende alguns resíduos retirados do mangue, como por exemplo garrafas PET e metais?, informou a gerente socioambiental do Grupo JCPM, Vera Barbosa. ?Todo o mangue foi cercado, protegido, antes de o canteiro de obras ser instalado?, completou.

Outra iniciativa foi recompor a mata ciliar que margeia rios e lagos. Dentro do Plano de Reflorestamento do mall, um trecho de 40 mil metros quadrados do canteiro de obras do shopping receberá 1.893 mudas de árvores nativas. Embora não tenha sido necessário aterrar o manguezal, pois o terreno antes era ocupado por uma Fábrica Bacardi, a obra suprimiu 293 árvores. Como compensação, o RioMar tem que repor 633 árvores. Mas fará quase o dobro: serão plantadas 1.260 árvores a mais do que o exigido pelos órgãos licenciadores. Com inauguração prevista para 29 de outubro de 2012, o RioMar ?, a exemplo do Salvador Shopping na Bahia, também do Grupo JCPM ?, foi pensado de maneira a preservar o meio ambiente, utilizando materiais com critérios de sustentabilidade e conteúdo reciclado. Não à toa, em junho deste ano o presidente do Grupo JCPM, João Carlos Paes Mendonça, recebeu voto de aplausos na Assembleia Legislativa de Pernambuco pelo compromisso socioambiental na construção do RioMar. A ação foi justificada também pela preocupação do Grupo com a educação sustentável da comunidade do entorno e dos jovens estudantes do Recife, promovendo oficinas de reciclagem e palestras.

No canteiro de obras do RioMar, se vê a preocupação ambiental por todos os lados. Uma iniciativa interessante é a solução para os resíduos de demolição da Fábrica Bacardi, um volume estimado de 36.000 toneladas. Esse material está sendo britado numa usina de reciclagem, e esses resíduos são aproveitados na própria obra para aterro de caminhos e na formação de blocos. O metal extraído desse processo vai para Gerdau. O mall se preocupa com mínimos detalhes. A obra possui, por exemplo, um lava-rodas para que os caminhões não saiam sujando as vias. Também adotou um sistema para atenuar a poeira.

O projeto e a operação do mall também se valeram de novas tecnologias visando o melhor aproveitamento de recursos naturais. O shopping possui cobertura envidraçada, integrando iluminação natural com artificial. Assim, o uso de energia elétrica durante o dia será mínimo. O reuso da água de condensação do sistema de climatização, nas torres de resfriamento, permitirá uma economia de água em 25%. Além disso, o esgoto é a vácuo em 100% dos vasos sanitários, representando redução em 90% de água ao sistema convencional. Nas praças de alimentação, haverá pontos de coleta seletiva.

 

Matéria publicada no Jornal do Commercio em 07/09/2011

Os bons frutos da educação

Matéria publicada no Jornal do Commercio em 24/08/2011

 

Horta criada em parceria entre PCR, uma multinacional e uma ONG reduziu evasão e aproximou pais do ambiente escolar.

Carlos Eduardo Santos

csantos@jc.com.br

Há três meses, as aulas na Escola Municipal Cecília Meireles, no bairro da Macaxeira, Zona Norte do Recife, têm sido diferentes. No lugar de quadro e giz, terra e regador. E a novidade, que diminuiu a evasão escolar e aproximou os pais da unidade de ensino, não vem da sala de aula, mas do quintal. Trata-se de uma horta, criada pelo Programa Ação Saudável, parceria da Prefeitura do Recife com a ONG Inmed Brasil e a multinacional Kraft Foods.

E a iniciativa já vem colhendo frutos. Com os vegetais cultivados no espaço ? alface, tomate, pimentão, hortelã entre outros ? os alunos recebem reforço na merenda e aprendem noções de educação ambiental e alimentar. A Escola Cecília Meireles é a primeira da capital a receber o programa.

Lá, cada classe cuida de uma pequena horta. Protegidos do sol com chapéus de palha, os alunos frequentam o espaço diariamente. Para regar, colher e ter aulas de todas as disciplinas.

Na aula de matemática, aprendem as figuras geométricas. As hortas têm forma de círculos, polígonos, triângulos e quadrados. Eles também somam e dividem as sementes. A professora de português ensina como escrever o nome de cada planta. Toda a montagem da horta foi acompanhada pelos alunos, que contam com o acompanhamento de um técnico agrícola.

Para Maria Eduarda Rodrigues, 9 anos, da 3ª série, as aulas estão melhores. ?Todo dia chego já querendo ir para a horta. É muito legal ter as aulas aqui. Gosto de cuidar das plantinhas e aprender as coisas com a horta?, explicou.

De acordo com a diretora de Alimentação Escolar da prefeitura, Terezinha Pimentel, um dos objetivos do programa é incentivar hábitos saudáveis. ?E já estamos colhendo os resultados. As crianças estão cobrando dos pais mais frutas e verduras em casa. E muitos pais estão querendo montar pequenas hortas em casa.?

Segundo Terezinha, outras duas escolas da rede municipal já estão com hortas e a previsão é que mais 27 ganhem o programa até o fim do ano. O objetivo, segundo ela, é implantar o Ação Saudável em 197 unidades da rede nos próximos anos.

A gestora da Escola Cecília Meireles, Cláudia Oliveira, disse já ter percebido a diminuição na evasão escolar. ?Alunos que estavam faltando muito, e são alvos fáceis para o tráfico de drogas, depois da horta, têm frequentado mais as aulas?, afirmou. Com a colheita, os estudantes participam da produção de sucos, sopas e saladas, consumidas na merenda.

VISITA

Ontem, executivos da América Latina da Kraft Foods, representantes da Inmed Brasil e prefeitura visitaram a unidade de ensino. De acordo com a coordenadora de Responsabilidade Social da Kraft Foods, Giselle Sigel, o Programa Ação Saudável também está sendo implantado em escolasde Vitória de Santo Antão, onde a empresa mantém uma fábrica, Jaboatão dos Guararapes, Moreno e Chã de Alegria.

 

 

 

Música oferece oportunidade para jovens da UR7 Várzea

Ismaela Silva
Especial para o NE10

Ele mal chega em casa, após o dia de trabalho, e já vai buscar o material da segunda atividade à qual dedica seu tempo. Ainda vestido com a farda da Polícia Militar, o soldado Mauro Cavalcanti Alves reúne os instrumentos que vai levar para o ensaio da Banda Macial Mais Corujão, da qual ele é o regente. Enquanto isso, na Associação de Moradores da UR7 Várzea, localizada na Zona Oeste do Recife, dezenas de jovens se reunem para esperar o professor Mauro, carinhosamente chamado de “All Right” (Tudo certo, em inglês), chegar, para começar a aula de música.

Tudo isso começou em outubro de 2009, quando pouco mais de 20 alunos se reuniam para ensaiar no 1º  andar vazio da casa de Mauro, hoje o grupo já se tornou banda oficial e ganhou a admiração e o respeito da comuidade. O   vice-presidente da associação de moradores do bairro, Carlos Almeida, é um dos que confirmam a aprovação. “Esse projeto é ótimo, está ajudando os jovens da comunidade a não ficarem desocupados e assim eles podem até tomar gosto e se tornarem profissionais”, avalia.

Foi justamente para dar oportunidade às crianças e adolescentes do bairro, onde mora há mais de 20 anos, que Mauro deu início ao projeto. “Eu queria dar oportunidade para quem quer aprender, fazer um trabalho de base, começar do zero. Queria aproveitar exatamente a ‘prata da casa’, os meninos aqui da comunidade”, conta. Os integrantes, por sua vez, confirmam que o objetivo está sendo alcançado: “Eu acho muito legal, porque é um entretenimento e um aprendizado. Todo mundo que vê acha legal. Sem falar que Mauro é o cara, ele é meu segundo pai, está sempre alí pra ajudar nas horas boas e nas ruins pra incentivar”, conta a trombonista Sabrina Soares da Silva, de 18 anos, que está na banda desde os 16.

Tendo quem acredite e invista no potencial deles, os jovens correspondem ao voto de confiança. Apenas este ano eles já se apresentaram em Recife, Altinho, Timbaúba e Vitória, participando da 3ª Copa Pernambucana de Bandas e Fanfarras, na qual se classificaram para a semi-final, que ocorre entre os próximos dias 20 e 22, no Instituto de Educação de Pernambuco (IEP), localizado no bairro de Santo Amaro, área central do Recife.

Apesar dos bons resultados, ainda falta muita coisa para que a Mais Corujão possa continuar dando oportunidade aos jovens da UR7, principalmente instrumentos. Neste momento, Mauro confessa que um dos seus maiores sonhos é poder fazer uma apresentação sem precisar pedir emprestado, das bandas que tocaram antes, os instrumentos que faltam no corpo musical.

“Para que ao menos os 75 jovens que já tocam se apresentem sem tomar instrumentos emprestados, a Mais Corujão precisa de mais 8 tropetes, 2 flughorns, 2 bombardinos, 6 trombones e 1 tuba, para a parte de metais, além de um quadritom, (que é o mais caro e custa R$ 1.600). Duas caixas tenor, dois bombos e um par de pratos, para a percussão e os acessórios de som, que são um carrilhão, um João Blog agudo e grave, um gobel duplo e uma conga”, contabiliza o regente.

Mesmo assim, isso não é limite para Mauro, seus 10 coordenadores voluntários e os 84 jovens que integram a banda. Seja com instrumentos emprestados, costureira voluntária ou com o dinheiro para viagens arrecadado através da venda de lanches, o que interessa para eles é não parar de tocar. Como aprenderam com seu regente, professor e, às vezes até paizão, Mauro, independentemente das dificuldades, é necessário encarrar as coisas acreditando que está sempre tudo “All Right”.

Matéria publicada no Portal NE10 em 17/08/2011

Quinze anos ajudando a transformar vidas

Associação dos Trapeiros de Emaús se encarrega de fazer lixo virar cuidado com o meio ambiente, oportunidades de emprego, fonte de renda e formação profissional

Nathalia Pereira

npereira@jc.com.br

O que você pensa ser trapo pode se transformar em oportunidade de emprego, formação profissional, benefício à população de baixa renda e cuidado com o meio ambiente. Há 15 anos, toneladas de objetos descartados pela classe média recifense são doadas à Associação dos Trapeiros de Emaús do Recife e virar melhorias sociais. É o que os membros da ONG internacional convencionaram chamar de solidariedade inteligente.

Funciona assim: o morador de qualquer parte do Grande Recife telefona para a sede dos trapeiros na capital, informando o que deseja doar. Podem ser eletrodomésticos, roupas, livros, vinis, brinquedos, artigos de decoração. Qualquer coisa que não lhe sirva mais. Depois, um caminhão vai à casa do doador para buscar os objetos que certamente voltarão a ser úteis para alguém. Dezenas de pessoas chegam cedo ao galpão dos trapeiros, em Dois Unidos, na Zona Norte, toda quinta e sábado, para comprar baratinho as doações no bazar da associação.

Antônio Firmino, 59 anos, é um pequeno vendedor de produtos eletrônicos. Morador da Iputinga, na Zona Oeste, há cinco anos ele chega às 6h na porta dos trapeiros para integrar a fila de compradores. ?Eu venho cedo para comprar televisão, computador, peças de eletrodomésticos e por aí vai?, afirma o comerciante, por volta das 14h da última quinta-feira, depois de oito horas de espera pelo início das vendas. Mas a iniciativa dos trapeiros tem alcance ainda maior.

Apesar da feira de usados ser mais beneficente ao público, os trabalhadores envolvidos nas atividades da associação também recebem apoio. ?A maioria dos funcionários que trabalha no galpão chegou até nós com alguma dificuldade de inserção social por diversos motivos. Selecionamos os trapeiros a partir de conversas, depois de conhecer a história de cada um. Os trabalhadores recebem uma ajuda de custo e saem daqui com experiência profissional?, explica Luis Tenderini, um dos criadores da associação no Recife.

Com a ajuda do arcebispo emérito de Olinda e Recife, dom Helder Camara, Luis trouxe para a capital pernambucana os ideais dos Trapeiros de Emaús, instituição criada na França, durante a 2ª Guerra Mundial. A ONG é representada por 330 grupos, espalhados por 40 países. Contribuem com a casa do Recife, membros da sociedade pernambucana e instituições comerciais. ?Algumas empresas nos enviam todo o material reciclável utilizado em suas sedes para revendermos?, afirma Tenderini.

Até o momento, a Associação Trapeiros de Emaús possui 3.500 doadores registrados. ?Trabalhamos para recuperar o que a sociedade descarta?, resume Tenderini. Mais informações sobre a ONG pelo site: emausrecife.org.

Cursos para abrir portas

Com o dinheiro dos bazares realizados no galpão dos Trapeiros de Emaús, a associação cria mais benefícios. Uma escola profissionalizante, também localizada em Dois Unidos, foi fundada pelos integrantes da ONG para oferecer cursos gratuitos aos jovens de baixa renda. Este ano, manutenção de computadores, refrigeração, eletricidade e eletrônica são os ofícios ministrados no espaço.

A estudante Carla Carneiro, 18 anos, mora em Dois Unidos e está aprendendo uma nova profissão na escola. Matriculada no curso de manutenção de computadores, ela concilia as aulas na associação de Emaús com os estudos para o vestibular. ?Já estou trabalhando na área e tudo. Conserto micros e ganho um dinheiro extra?, conta Carla, que escolheu estudar ciências da computação na faculdade, após a experiência com o profissionalizante.

Os cursos duram aproximadamente dez meses e os estudantes pagam apenas um valor simbólico pela matrícula e o fardamento. Na próxima terça-feira, quando os Trapeiros de Emaús completam 15 anos, os alunos vão organizar uma feira de profissões para orientar estudantes de ensino médio da região sobre os ofícios que estão aprendendo.

De acordo com o presidente da associação no Recife, Ronaldo Medeiros, além dos cursos técnicos, a escola reúne os alunos às sextas-feiras em aulas de educação cidadã. ?Promovemos debates sobre temas pertinentes aos jovens. Violências, drogas, sexualidade são alguns dos assuntos que norteiam as conversas. É bastante produtivo?, afirma Ronaldo.

ANIVERSÁRIO

Hoje, a Associação dos Trapeiros de Emaús celebra os 15 anos de funcionamento em missa de ação de graças realizada às 11h, na Igreja das Fronteiras, na Rua das Fronteiras, na Boa Vista, Centro do Recife. A casa paroquial da igreja abrigou o arcebispo emérito de Olinda e Recife, dom Helder Camara, que promoveu a ideia dos trapeiros desde a vinda da associação para a capital pernambucana. ?Apesar da associação não ter vínculo com nenhuma religião, é importante celebrarmos os bons frutos da nossa ideia?, afirma Luis Tenderini, criador da associação no Recife.

 

 Matéria publicada no Jornal do Commercio em 14/08/2011

 

Apelo para manter vida e arte juntas

Moradores de Brasília Teimosa precisam de ajuda para não deixar morrer projeto que envolve jovens e crianças em aulas de dança, capoeira, grafitagem e informática

Lorena Tapavicsky

ltapavicsky@jc.com.br

No fim dos anos 50, quando a comunidade de Brasília Teimosa, na Zona Sul do Recife, começava a surgir, uma pequena casa da região acolhia os filhos dos trabalhadores da área. Com o passar dos anos e a ajuda dos moradores, o espaço cresceu e se transformou na Associação de Ação Comunitária de Brasília Teimosa. Atualmente, cerca de 150 crianças e jovens frequentam o local e participam de oficinas de informática, dança e capoeira.

Até setembro do ano passado também era oferecido o curso de grafitagem, mas a turma foi suspensa por falta de recursos. Além disso, a associação precisa de ajuda para recuperar o teto do refeitório, danificado após as chuvas que atingiram a cidade nos últimos meses.

As atividades são mantidas através de parcerias e doações, mas a ajuda nem sempre chega de maneira contínua. ?Quando recebemos apoio desenvolvemos projetos para melhorar a qualidade de vida das pessoas da comunidade e oferecer oportunidades de crescimento?, disse o coordenador da associação, Reginaldo Carvalho. O principal objetivo, segundo ele, é criar um ambiente estável para crianças e jovens de 6 a 22 anos, onde eles possam brincar, aprender e ficar longe do mundo das drogas e da prostituição. Voluntários ministram as oficinas e profissionais ? psicólogo, assistente social e advogados ? prestam assistência às crianças e famílias.

Uma das parcerias que pretendiam incentivar os jovens a participar das atividades foi firmada com as escolas estaduais do bairro, que cederam os muros para os alunos da oficina de grafitagem. ?Foi uma ótima colaboração, mas ainda não conseguimos grafitar os muros porque as tintas acabaram e até agora não conseguimos verba para comprar mais. A grafitagem era uma das atividades que mais despertavam interesse nos jovens?, disse Carvalho.

REPAROS

Outra dificuldade da associação é conseguir dinheiro para consertar o teto de gesso do refeitório. Com as chuvas intensas que atingiram o Recife nos meses de maio e junho, infiltrações danificaram a estrutura, que foi removida para prevenir acidentes.

A ajuda da associação também se estende para outras pessoas de Brasília Teimosa. ?Uma vez por semana oferecemos um sopão aos moradores pobres. Gostaríamos que essa frequência fosse maior, mas nem sempre conseguimos adquirir os alimentos?, explicou Carvalho. Os interessados em ajudar a Associação de Ação Comunitária de Brasília Teimosa podem doar alimentos na sede da instituição, na Rua Badejo, 285, ou fazer depósitos na conta do Banco do Brasil, agência 3699 conta corrente 1242-4.

 

Matéria publicada no Jornal do Commercio em 07/08/11